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Assembleia Geral das Nações Unidas
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Nova Iorque, EUA, 28 de setembro de 2015 ler mais: Assembleia Geral das Nações Unidas

 

IV. Enquadramento Temático - Biociências e Biotecnologia Clique aqui para diminuir o tamanho do texto|Clique aqui para aumentar o tamanho do texto

A nova vaga da economia do conhecimento

Como afirmava a Comissão Europeia, na sua Estratégia Europeia para as Ciências da Vida e Biotecnologia, esta área representa, a par das tecnologias de informação e comunicação, a nova vaga da economia baseada no conhecimento.

Está a decorrer uma revolução na base de conhecimentos das ciências da vida e da biotecnologia, possibilitando novas aplicações no domínio dos cuidados de saúde, da agricultura, da produção alimentar e da protecção do ambiente. Esta revolução tem uma amplitude mundial.

A base de conhecimentos relativa aos organismos vivos e aos ecossistemas está a originar novas disciplinas científicas, tais como a genómica e a bioinformática, e também novas utilizações, como sejam os testes genéticos e a regeneração de órgãos ou tecidos humanos. Estas, por sua vez, perspectivam aplicações com um impacto profundo nas nossas sociedades e economias. A expansão da base de conhecimentos é acompanhada por uma velocidade sem precedentes na transformação de invenções científicas de ponta em aplicações práticas e em produtos, apresentando assim potencialidades para uma nova criação de riqueza: as velhas indústrias estão a ser reconvertidas e emergem novas empresas, proporcionando o tipo de empregos qualificados que sustentam as economias baseadas no conhecimento. As biociências e a biotecnologia constituem provavelmente as tecnologias de ponta mais prometedoras.


A biotecnologia tem aplicação nas seguintes áreas:

Biotecnologia agrícola e alimentar – biotecnologia verde
Tem originado resultados como os organismos geneticamente modificados e  o melhoramento do processo de produção de diversos produtos da biotecnologia tradicional. Isto é, tem contribuído, ao nível dos alimentos, para o aumento da sua qualidade, para a redução do seu custo de produção, para a redução dos impactes dos produtos químicos e para o aumento no nível de conservação e de robustez.
 
Biotecnologia industrial e ambiental – biotecnologia branca
Tem aplicações ao nível do tratamento de águas residuais, da eliminação de nitratos na água, da luta contra as marés negras, do desenvolvimento de novos combustíveis (como biocombustíveis), de produtos químicos mais versáteis e de materiais com menor impacto ambiental. Na prática, a biotecnologia branca serve de contraponto aos tradicionais métodos físico-químicos.

Biotecnologia da saúde– biotecnologia vermelha
Ao nível farmacêutico, traduz-se na utilização de organismos recombinados para a produção de proteínas de aplicação terapêutica. Por outro lado tem aplicações ao nível da genómica, da farmacogenómica, dos serviços médicos (testes genéticos e terapia génica) e da investigação com células estaminais (adultas e embrionárias) que potenciam a substituição de tecidos e órgãos para tratamento de doenças neurodegenerativas (Alzheimer, Parkinson), diabetes e cancro.

Assim, as biociências e a biotecnologia contribuem para um melhor ambiente, para melhores cuidados de saúde, para melhor alimentação, para melhor produção industrial e para maior eficiência energética. Isto é, contribuem para o Desenvolvimento Sustentável.

Bioeconomia – explorar o potencial das biociências e da biotecnologia

A biotecnologia teve, em 2005, um volume mundial de vendas de cerca de 100 000 milhões €. A Comissão Europeia prevê que, nos próximos anos, esse valor venha a atingir cerca de 2 biliões €/ano. Pode afirmar-se, sem exagero, que a par da revolução de conhecimentos na área das biociências está em curso a consolidação de uma nova economia: a bioeconomia.

No mercado mundial de biotecnologia, os Estados Unidos detêm 83% do volume anual de vendas, a União Europeia 13% e a Ásia 3%. A EU tem, portanto, um longo – e necessariamente rápido – caminho a percorrer caso pretenda tirar partido das potencialidades da bioeconomia.

A indústria biotecnológica europeia começou tarde e encontra-se ainda em fase de arranque, quando se considera a dimensão das empresas, as receitas e a oferta de produtos. Actualmente, verifica-se a necessidade urgente de reforçar o desenvolvimento e a consolidação da indústria.

Tal como a Comissão Europeia, o Parlamento Europeu e o Conselho Europeu têm afirmado, a biotecnologia constitui uma indústria global, baseada no conhecimento e com elevada intensidade de capital, pelo que o seu desenvolvimento dependerá dos progressos realizados em três vertentes fundamentais:

  • o combate à fragmentação (traduzida pela falta de cooperação entre o sistema de investigação científica e a indústria, pela falta de cooperação entre empresas europeias e pela falta de cooperação entre instituições de investigação europeias);
  • o acesso a financiamento;
  • a defesa da propriedade intelectual.

Do ponto de vista técnico é, neste momento, crucial aumentar interacção da biotecnologia com as tecnologias de informação e comunicação, com as nanotecnologias e com a bio-informática.

Portugal e a Biotecnologia – potencial para crescer

Segundo os dados do estudo recentemente publicado pela INTELI, Portugal tem cerca de 30 empresas de biotecnologia, correspondendo a mais de 1400 colaboradores. Praticamente, duas em cada três dessas empresas foram fundadas por doutorados. Entre 2001 e 2004 foram criadas 11 empresas.

Dessas 30 empresas, 38% são de biotecnologia da saúde, 25% são de biotecnologia agro-alimentar, 4% são de biotecnologia industrial e ambiental e 33% de serviços.

O potencial português nesta área é elevado:

Por um lado porque, ao nível dos recursos, temos um número elevado de unidades de investigação de elevada qualidade (classificadas com excelente e muito bom), temos graduados e pós-graduados com competências específicas de elevada qualidade e temos laboratórios e equipamentos de qualidade (ver gráficos com evolução do número de doutorados nestas áreas, nível de financiamento e produção científica).

Por outro lado, a percepção pública para a aplicação da Biotecnologia é favorável (o que não sucede noutros Estados) e a nossa situação geográfica e institucional (participação plena na EU, na CPLP e na Comunidade Ibero-Americana) cria boas condições de cooperação e de internacionalização.


 

 

 No entanto, existem fragilidades que impedem o pleno desenvolvimento daquele potencial. De acordo com o relatório anteriormente referido, da INTELI:

  • A despesa em I&D em áreas fundamentais da biotecnologia é baixa, quando comparado com o nível de outros países europeus.
  • O regime fiscal não é atractivo, dificultando a atracção de investimento externo estrangeiro na área das biociências.
  • Faltam competências específicas ao nível da gestão da propriedade intelectual e da comercialização.
  • Falta de seed-money para a fase de arranque das empresas do sector e escassez de meios financeiros para a fase de validação de conceito (ensaios pré-clinicos, protótipos, etc)
  • Tem havido dificuldades no estabelecimento de alianças estratégicas e na transferência de tecnologia para as empresas tradicionais.
  • Existe desconhecimento sobre o potencial de I&D nacional e sobre o potencial de aplicação da Biotecnologia a sectores tradicionais.
  • Poucos espaços de incubação, com laboratórios e equipamento adequado, de empresas de biotecnologia.

 

1ª Jornada do Roteiro da Ciência – Biociências e Biotecnologia

A 1ª Jornada do ROTEIRO DA CIÊNCIA, dedicado às Biociências e Biotecnologia, integra no seu Programa:

  • Uma empresa farmacêutica (BIAL) com bons resultados financeiros, certificada ao nível da gestão ambiental e da gestão da qualidade e com uma forte aposta na investigação científica e na inovação. Tem 17 doutorados e tenciona investir 230 milhões € em I&D.
  • Um Laboratório Associado (IBMC/INEB) de elevada qualidade, com massa crítica (cerca de 300 investigadores) na I&D e na prestação de serviços à comunidade em áreas tão relevantes como a Genética Humana e as Doenças Genéticas, a Biologia da Infecção e Imunologia, a Biologia Estrutural e Molecular, a Neurobiologia Básica e Clínica e os Mecanismos Adaptativos Celulares.
  • Uma Universidade (Universidade do Minho) que integra quatro unidades de I&D na área das biociências e biotecnologia (saúde, agro-alimentar e industrial), com 260 investigadores, e que conquistou recentemente, através do Laboratório 3B´s (dedicado aos biomateriais, biodegradáveis e biomiméticos), a coordenação do EXPERTISSUES – Rede de Excelência de Engenharia de Tecidos Humanos. Nesta rede, financiada pelo 6º Programa-quadro da EU (7,3 M€ de 2004 a 2009), participam 20 instituições de 13 países.
  • Uma incubadora de empresas do sector da biotecnologia (CiDEB - Centro de incubação e desenvolvimento de empresas de biotecnologia) integrada numa Escola e numa Unidade de I&D de referência na Biotecnologia Alimentar e Ambiental (a Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica Portuguesa e o Centro de Biotecnologia e Química Fina).
  • O único Parque de Ciência e Tecnologia especializado em Biotecnologia (BIOCANT), da iniciativa conjunta da Câmara Municipal de Cantanhede, das Universidades de Aveiro e de Coimbra e de outros parceiros institucionais da região. Nos Centros de I&D do BIOCANT trabalham investigadores da Universidade de Aveiro, da Universidade de Coimbra e do Centro de Neurociências e Biologia Celular. No BIOCANT estão instaladas 9 empresas (CRIOESTAMINAL, BIOGNOSIS, BIOCANT VENTURES, HALORIS, BIOGNOSIS, VECTOR PHARMA, GENEBOX, GENEPREDIT, GENELAB).
  • O encerramento de um Curso de empreendedorismo que tem a virtude de não apenas resultar da convergência de vontades de quatro instituições (Universidade de Coimbra, Universidade de Aveiro. Universidade da Beira Interior e Conselho Empresarial do Centro) como envolver 110 alunos e incidir (ao nível dos planos de negócio a desenvolver pelos alunos) sobre 25 tecnologias.
  • Um encontro com 25 investigadores – maioritariamente entre os 25 e os 40 anos – galardoados com prémios científicos nas áreas das biociências e da biotecnologia.
  • Um encontro com os líderes de 18 empresas de biotecnologia (BIOTECNOL, ALFAMA, STAB-VIDA, BIOTREND, BLUEPHARMA, CRIOESTAMINAL, FOODMETRIC, BIOSURFIT, HALORIS, BIOTEMPO, BIOALVO, BIOCODEX, GENETESTE, BIOTECA, GDPN, IMUNOSTAR, WEDOTECH, OLERIBUS).

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© Presidência da República Portuguesa - ARQUIVO - Aníbal Cavaco Silva - 2006-2016

Acedeu ao arquivo da Página Oficial da Presidência da República entre 9 de março de 2006 e 9 de março de 2016.

Os conteúdos aqui disponíveis foram colocados na página durante aquele período de 10 anos, correspondente aos dois mandatos do Presidente da República Aníbal Cavaco Silva.