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Visita ao Hospital das Forças Armadas
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PRESIDENTE da REPÚBLICA

INTERVENÇÕES

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Discurso do Presidente da República no Jantar de Estado oferecido em honra do Presidente da República de Moçambique e Senhora D. Isaura Nyusi
Palácio Nacional da Ajuda, 16 de julho de 2015

É motivo de enorme satisfação, para mim e minha Mulher, receber Vossa Excelência, Senhor Presidente, e a Senhora D. Isaura Nyusi, bem como a distinta comitiva que os acompanha nesta vossa Visita a Portugal.

Uma ocasião que celebramos com particular alegria, por ser esta a primeira vez que recebemos Vossa Excelência enquanto Presidente da República de Moçambique e por permitir que nos reencontremos após o nosso frutuoso contacto em Maputo, aquando das cerimónias que o investiram nessas funções.

Quero expressar o quanto nos honra e sensibiliza, Senhor Presidente, que tenha decidido aceitar o convite que então lhe dirigi, fazendo de Portugal o primeiro destino fora do continente africano que visita oficialmente.

Senhor Presidente,

No ano em que se celebra o 40º aniversário da independência de Moçambique, o relacionamento entre os nossos países assume um dinamismo sem precedentes e uma inegável proximidade. Temos, dos dois lados, a imprescindível vontade política para promover o aprofundamento do nosso relacionamento bilateral e para facilitar um contacto cada vez mais próximo entre as nossas instituições, os nossos empresários, os nossos criadores artísticos e culturais e, acima de tudo, entre os nossos povos irmãos. Os laços que nos ligam revestem-se de um carácter excecional porque se fundam na amizade e no respeito mútuo.

Esta Visita de Vossa Excelência será mais um importante contributo para reforçar as parcerias entre Portugal e Moçambique, ao nível político, cultural e económico.

Gostaria de sublinhar o empenho que colocamos na Presidência portuguesa do G-19, no quadro da parceria de apoio programático ao Orçamento de Estado de Moçambique. Procuraremos contribuir para o fortalecimento da ação do Governo moçambicano em prol do desenvolvimento.

É igualmente firme o compromisso português de permanecer como um parceiro fiável de Moçambique, apostado na cooperação para o seu desenvolvimento sustentável.

Quero também felicitar Moçambique pelo empenho com que se tem dedicado à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, contribuindo para que os valores que partilhamos sejam afirmados e projetados de forma mais visível no plano internacional. O continuado aumento de candidaturas ao estatuto de Observador Associado ilustra bem o crescente reconhecimento da CPLP como uma entidade de referência no mundo atual.

Senhor Presidente,

Vivemos tempos pautados por vários focos de incerteza e por ameaças sérias a valores, liberdades e direitos cuja afirmação e conquista tanto contribuíram para a melhoria das condições de vida da Humanidade. Perante fenómenos como o terrorismo, o tráfico e a exploração de seres humanos ou demonstrações bárbaras de intolerância, assume cada vez maior importância o exemplo das relações entre países que primam pela estabilidade, pela amizade, pelo respeito mútuo, pela procura do bem comum; em suma, relações como as que ligam Portugal e Moçambique.

Num Mundo cada vez mais volátil e mediatizado, será um desafio sério, mas porventura indispensável, procurar reforçar, em particular junto dos jovens, os valores da estabilidade, da ponderação e do diálogo, assim como os princípios fundamentais de defesa da Paz, do Estado de Direito democrático, dos Direitos Humanos e do desenvolvimento económico-social.

Também por isso, Senhor Presidente, a relação entre os nossos dois países constitui um ativo singular, tanto na perspetiva política, como na do contacto entre os nossos cidadãos e as nossas empresas.

O Fórum de Negócios Moçambique-Portugal que amanhã terá lugar contribuirá, certamente, para encorajar parcerias comerciais e de investimento entre os dois países.

Num período em que o tecido empresarial português tem dado provas de capacidade e competitividade na abertura a novos mercados e no estabelecimento de novas parcerias, um país como Moçambique justifica – e tem sabido merecer – uma atenção especial. O dinamismo económico que se prevê continuar a verificar-se em Moçambique, ao longo dos próximos anos, reforça ainda mais as oportunidades que tendem a emergir da economia moçambicana. A maioria das empresas portuguesas optou por investir em Moçambique muito antes de se conhecerem as perspetivas estimulantes dos recursos naturais. Ou seja, os empresários portugueses não esperaram pelo carvão nem pelo gás para darem provas da sua confiança em Moçambique, como país onde vale verdadeiramente a pena investir.

Os dados estatísticos do Centro de Promoção de Investimento em Moçambique permitem reter, de facto, o contributo do investimento e da comunidade portuguesa para a dinâmica da economia de Moçambique.

O investimento direto português contratualizado atinge já 1.745 milhões de dólares; de entre os investidores estrangeiros, os portugueses são os que mais emprego criam para moçambicanos; os empregos criados por empresas portuguesas são já 42 mil; desde 2008 que os portugueses têm estado sempre entre os maiores investidores em Moçambique.

Senhor Presidente,
Minhas Senhoras e meus Senhores,

Julgo que estes dados são suficientemente expressivos e elucidativos da inequívoca aposta dos nossos empresários em Moçambique. Estamos convictos de que juntos iremos mais longe, num espírito de parceria e de vantagens mútuas.

Apesar de a dimensão económica ser um elemento marcante e de natural relevância nas relações entre Portugal e Moçambique, o nosso relacionamento está longe de se reduzir a aspetos de carácter comercial.

Como já tive ocasião de referir, Portugal e Moçambique também estão unidos pela amizade, pelos afetos. Esta afeição só é possível entre Povos que se conhecem bem, que se estimam e que se respeitam. As relações entre as sociedades civis de ambos os países dão, neste domínio, um contributo central, mas são porventura os criadores artísticos e culturais a quem temos de agradecer pelo imenso contributo que trazem para a aproximação, a afetividade, o conhecimento e a própria admiração que temos uns pelos outros.

Conhecer as pinturas do Mestre Malangatana, de Naguib ou de Bertina Lopes aproxima os portugueses da beleza e do sentido plástico da arte moçambicana.

Ler e conhecer as obras de Craveirinha, Mia Couto, Luís Bernardo Honwana, Paulina ou Ungulani, levam-nos a ir mais fundo no conhecimento e no respeito pelos sentimentos do povo irmão de Moçambique.

Em reconhecimento do imenso contributo que todos estes nomes de artistas e escritores moçambicanos têm dado para a divulgação da cultura moçambicana em Portugal e para nos aproximarem ainda mais, pela via do conhecimento e do afeto, todos eles foram oportunamente condecorados pelo Estado Português.

“O meu maior mal, a minha culpa mais grave foi o anseio de justiça e amar tanto Moçambique como venero a memória do meu pai branco algarvio e da minha mãe negra”, escreveu Craveirinha num poema dedicado a seu pai.

Curiosamente, Senhor Presidente, o meu pai também era um branco algarvio e, em Portugal, todos somos de certa forma o fruto de laços muito diversos, filhos de árabes e judeus, de romanos e de celtas, de visigodos e de tantos outros povos que aqui se estabeleceram. Quero com isto dizer quão facilmente nos identificamos com o sentimento de Craveirinha.

Senhor Presidente,

Agradeço-lhe, uma vez mais, a sua presença em Portugal e o empenho que esta Visita revela no aprofundamento da relação entre os nossos dois países. Pode contar, Senhor Presidente, também com o meu empenho pessoal no fortalecimento dos laços de amizade e cooperação que ligam os povos moçambicano e português.

Recordo, antes de terminar, uma frase feliz de Mia Couto: “Quando não somos nós a inventar o sonho é ele que nos inventa a nós”.

Espero que, no caso de Portugal e Moçambique, nós saibamos inventar o sonho de uma relação ímpar no contexto das Nações, em benefício dos nossos dois Povos e do seu futuro.

É neste espírito que peço a todos que se juntem a mim num brinde à saúde e felicidade pessoal do Presidente Filipe Jacinto Nyusi e da Senhora D. Isaura Nyusi, à amizade entre Portugal e Moçambique e à prosperidade crescente dos nossos povos irmãos.

Muito obrigado.

© Presidência da República Portuguesa - ARQUIVO - Aníbal Cavaco Silva - 2006-2016

Acedeu ao arquivo da Página Oficial da Presidência da República entre 9 de março de 2006 e 9 de março de 2016.

Os conteúdos aqui disponíveis foram colocados na página durante aquele período de 10 anos, correspondente aos dois mandatos do Presidente da República Aníbal Cavaco Silva.