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Assembleia Geral das Nações Unidas
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Nova Iorque, EUA, 28 de setembro de 2015 ler mais: Assembleia Geral das Nações Unidas

PRESIDENTE da REPÚBLICA

INTERVENÇÕES

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Discurso do Presidente da República na Sessão de Encerramento do Encontro “FAZ - Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa 2014”
Lisboa, 6 de junho de 2014

Saúdo todos os participantes neste encontro FAZ – Empreendedorismo Inovador na Diáspora Portuguesa, ao qual me associo, de novo este ano, com a maior satisfação.

Agradeço a vossa presença, vinda de todos os cantos do Mundo. Interpreto-a com um sinal claro do profundo afeto que mantêm com Portugal. O meu reconhecimento a todos vós, e, em particular, àqueles que atravessaram outros continentes para estarem hoje connosco.

Nas pessoas da Senhora Dra. Isabel Mota e do Senhor Engenheiro Sérvulo Rodrigues, quero igualmente felicitar a Fundação Calouste Gulbenkian e a COTEC pela organização conjunta dos prémios FAZ. O prestígio desta iniciativa tem aumentado de ano para ano, como o demonstram o crescente número e a diversidade das inscrições e a própria abrangência geográfica dos participantes.

Uma especial palavra de apreço ao presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Senhor Dr. Artur Santos Silva, pela forma como esta Fundação tem abraçado o tema da relação com a Diáspora. Felicito igualmente o Professor João Bento pelo empenho com que a COTEC tem desenvolvido esta iniciativa.

O Prémio Empreendedorismo Inovador, na sua sétima edição, e o concurso Ideias de Origem Portuguesa têm dado a conhecer mais fielmente a realidade da nossa Diáspora, nas suas diferentes manifestações e, também, nas suas várias gerações, como é demonstrado pelas idades dos participantes, que vão dos 20 aos 83 anos.

No espírito da sua instituição, numa homenagem ao espírito empreendedor dos Portugueses, de todos os Portugueses, com o Prémio Empreendedorismo Inovador queremos distinguir em especial os que desenvolveram as suas carreiras com sucesso por esse mundo fora.

Esta iniciativa conquistou um espaço próprio e é hoje uma singular expressão dos laços que aproximam distâncias e se constroem na partilha de afetos e interesses comuns.

O grupo de portugueses da Diáspora que aqui se encontra, a que se juntam todos os outros que, ao longo das anteriores edições, marcaram presença, demonstra bem a extensão e o enorme potencial de uma realidade que, através deste Prémio, passou a ser mais bem conhecida e valorizada.

As histórias de vida que hoje aqui conhecemos, pela sua riqueza pessoal, pela confiança nas capacidades de cada um, pela autonomia e pelo empenho que demonstram, são testemunho de que os Portugueses, onde quer que estejam, são um povo com extraordinárias capacidades de se superar a si próprio.

Senhoras e Senhores,

Portugal atravessa uma fase histórica de grandes desafios. Nos últimos anos, os Portugueses, no seu país, tiveram uma experiência de dificuldades que é também um percurso de aprendizagem, de adaptação a uma realidade com novas exigências.

Perante o risco e a incerteza, aprendemos uma lição essencial: temos de ser capazes de ultrapassar da melhor forma as barreiras que nos limitam, de encontrar soluções originais, de explorar novos recursos.

A propensão para manter o estado das coisas, a procura sistemática da desculpabilização para evitar qualquer mudança e a reserva com que muitas vezes se encaram as novas ideias representam, elas próprias, o maior risco que corremos.

Por isso, o conhecimento dos vossos exemplos e o contributo dos portugueses na Diáspora assumem um papel da maior importância enquanto referência mobilizadora para todos nós.

Ao longo das diversas visitas às comunidades da Diáspora, tenho contactado de muito próximo com a experiência de ser português no Mundo.

Tenho verificado que, para os Portugueses que partem, sair de Portugal não significa deixar de fazer parte da vida do País. Pelo contrário, os laços reforçam-se e a distância geográfica confere uma nova perspetiva, mais objetiva, sobre o País que somos e que pretendemos ser.

Paradoxalmente, constata-se que os recursos humanos que produzimos são mais valorizados no exterior do que em Portugal.

Impõe-se, por isso, que aprendamos com a nossa Diáspora, instaurando uma nova cultura de valorização do mérito e do talento. Em cada português existe um enorme potencial de realização. A concretização desse potencial exige maior confiança nas nossas capacidades para superar desafios e vencer dificuldades.

Tal como sucede com o destino dos nossos compatriotas que triunfam no exterior, o nosso destino está nas nossas mãos. Se a incerteza e o risco são características inescapáveis do mundo global, as oportunidades existem em toda a parte. Cabe-nos a nós saber aproveitá-las.

Senhoras e Senhores,

O século XXI é, para muitos, a era da mobilidade. À escala mundial, dois terços dos países são simultaneamente cais de partida e ponto de chegada de uma população migrante.

As migrações são manifestações bem visíveis da interdependência do mundo global. O fluxo de profissionais é determinado por causas que extravasam as motivações meramente económicas, decorrendo também de fatores como a realização profissional, o progresso na carreira, o reconhecimento do mérito e o acesso a novos meios culturais.

A internacionalização da cooperação científica, a globalização das cadeias de produção das empresas e a abertura do comércio são forças poderosas que estimulam, como nunca, a mobilidade dos profissionais, em especial dos mais qualificados. A intensidade destes fenómenos irá crescer com a progressiva abertura económica e o aprofundamento da integração das economias.

Independentemente da condição económica do País, os Portugueses continuarão a sair de Portugal, umas vezes por necessidade, outras por opção profissional, outras, ainda, por vontade de partir à aventura e à descoberta.

Muitos dos que saem hoje fazem parte da geração de Portugueses mais qualificada de sempre.

Devemos assumir uma visão serena e realista desta nova realidade do mundo global, recusando a ideia que a emigração representa necessariamente uma perda irreversível para o País. Temos, isso sim, de criar condições de atratividade para todos, para os que desejam ficar e para os que, estando no estrangeiro, aspiram a regressar e a viver em Portugal.

Por isso, peço-vos que mantenham o contacto com o vosso país. Incentivem os vossos filhos a aprender o português, uma língua global, a língua mais falada no hemisfério sul. Visitem Portugal com as vossas famílias. Mostrem-lhes as nossas paisagens e a nossa História. Dêem-lhes a conhecer os nossos escritores, pintores e arquitetos, todos os traços culturais que projetam o nome de Portugal no Mundo. Mostrem-lhes a qualidade das nossas universidades. Orgulhem-se da nossa herança cultural e do nosso património histórico.

Senhoras e Senhores,

O Mundo está hoje bem presente nesta sala. São 37 os países dos cinco continentes onde vivem e trabalham os nossos compatriotas que nos deram o gosto de corresponder ao convite para aqui se deslocarem.

Como já tive ocasião de sublinhar, o êxito desta iniciativa tem um segredo: o encontro de vontades.

Desde o início do meu primeiro mandato como Presidente da República, assumi o compromisso de contribuir ativamente para a aproximação entre Portugal e as comunidades de Portugueses e luso-descendentes no exterior.

Portugal quer fortalecer a rede dos Portugueses que, ao longo de gerações, se dispersaram pelas sete partidas do mundo. A vossa presença e o vosso interesse por esta iniciativa são a prova viva de que continuam ligados por fortes laços de afeto ao país onde nasceram ou no qual têm as vossas raízes.

Hoje, o Prémio Empreendedorismo Inovador já não diz respeito apenas à economia; contempla igualmente o ensino e a investigação, o associativismo e o terceiro sector, as indústrias criativas. A ilustrar essas novas valências, realçam-se os prémios atribuídos este ano, em ex-aequo, a Jorge da Costa e a Ricardo Ribeiro

Felicito a Sumos Portugal, equipa vencedora do Prémio Ideias de Origem Portuguesa, bem como todos os restantes finalistas.

Considero esta homenagem ao espírito empreendedor e universalista dos Portugueses, separados que estejam por circunstâncias diversas e geografias longínquas, como motivo de reencontro, de inspiração e de pertença. Conto, por isso, que sirva igualmente o propósito, essencial e hoje inadiável, de a todos mobilizar para o desenvolvimento de Portugal.

Agradeço, muito calorosamente, a vossa participação e a vossa presença. Estou certo de que ela constitui um sinal do vosso empenho e da vossa confiança no futuro de Portugal.

Desejo a todos os maiores sucessos, profissionais e pessoais.

Muito obrigado.

© Presidência da República Portuguesa - ARQUIVO - Aníbal Cavaco Silva - 2006-2016

Acedeu ao arquivo da Página Oficial da Presidência da República entre 9 de março de 2006 e 9 de março de 2016.

Os conteúdos aqui disponíveis foram colocados na página durante aquele período de 10 anos, correspondente aos dois mandatos do Presidente da República Aníbal Cavaco Silva.