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Associativismo e Inovação Social

último post: 18:02 29OUT2008
nº de posts: 10
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Ricardo Pinto
A (revira)volta do Associativismo - Outros tempos, outras vontades...
Como estimular a participação dos jovens no associativismo?
Recentemente participei num fórum nacional com mais alguns colegas aqui presentes nestes diálogos digitais, e efectuamos uma reflexão (mais ou menos introspectiva e retrospectiva) do trabalho que fizemos, fazemos, tentamos fazer e daquilo que nos levou a seguir este caminho. E chegamos pelo menos a um ponto coincidente, de entre alguns mais ou menos concordantes, gostamos e tentamos sempre fazer algo pelos outros, principalmente por aqueles que representamos, e ficamos felizes quando conseguimos ver o nosso trabalho reconhecido, principalmente pelos nossos colegas.
Tal como afirmou aqui o João Pita, todos nós já ouvimos e afirmamos anteriormente que o associativismo mudou, e é verdade. Vive-se agora (em termos estudantis e não só) um novo período, de novas condicionantes pedagógicas, culturais, económicas, sociais; que levam os nossos " novos" colegas estudantes a enveredar por outros caminhos, outras formas de realizar o seu percurso académico, agora mais curto (em média). A solução para estimular a sua participação, não a tenho, penso que os outros dirigentes com que tenho falado também não a têm, e penso que se a tivessem (pelo menos eu faria-o) aqui a deixaria de bom agrado e tentaria passar por outras formas.
Temos que ter em conta que os tempos são outros,.... Os novos ciclos adaptados a Bolonha, mais curtos,com maiores responsabilidades de participação no processo de aprendizagem para os estudantes, que tentam aprender e engrossar o seu currículo o mais possível em termos técnicos, são uma das condicionantes. Em média os tempos de aulas e estudo também aumentaram, e não são todos os que numa altura em que se deseja entrar para o mercado de trabalho o mais rapidamente possível, estão dispostos a abdicar do seu tempo, e quase invariavelmente, de um ano a mais passado na Instituição de Ensino, com a sua família a suportar mais esse encargo. Porque também é disso que se fala,... Quase todos os dirigentes que se dedicam ao associativismo de "corpo e alma" perdem algo, pelo menos em termos de estudos ou cadeiras feitas... E é algo que é difícil de explicar aos nosso colegas, que nem sempre as contrapartidas são justas ou agradáveis, e que nem sempre se acerta ou se ganha, ou nos dão a razão, e mesmo que por vezes falhamos redondamente e temos de o afirmar perante tudo e todos.
Outra das condicionantes é que nem sempre o que ganhamos e aprendemos neste período, esta "bagagem", é convenientemente reconhecida, e começa logo pelas Instituições de Ensino, que "convenientemente" deixaram de fora (se não em todas, numa larga maioria) o reconhecimento, em ECTS desta forma de aprendizagem que é o Associativismo, e que devia ser obrigatório. Também o mercado de trabalho, que apesar de tudo já começar a mudar, ainda não o faz convenientemente, e em certas entrevistas de trabalho é difícil fazer entender que "mais-valias" estas funções e cargos associativos nos deram, e que "ferramentas" ganhamos nós, em termos de gestão, de liderança, de criatividade, por exemplo.
Também a tutela estatal da juventude, o IPJ, o novo estatuto do dirigente-associativo, pecam em grande parte, por remeter todos os tipos de dirigismo associativo juvenil, para um diploma que, à falta de melhor, põe tudo e todos no mesmo saco, omitindo as significativas diferenças que existem entre os diferentes tipos de dirigentes juvenis. Não estou com isto a dizer que uns são melhores ou piores, que fazem mais ou menos, são o que são - diferentes- , mas isto é comentário para ser feito no outro tópico deste diálogo.
Muitas das condicionantes também são da sociedade em que vivemos, e neste momento a participação (ou falta dela) dos jovens no associativismo é igualmente um reflexo da participação dos cidadãos na nossa política nacional. Vivemos numa era de tecnologias, em que poucas já são as grandes causas verdadeiramente mobilizadoras, e é mais fácil escrever ou ler sobre elas num blog de Internet, ou subscrever uma petição por exemplo para alterar o hino nacional... E o associativismo, bem como a política, têm de se voltar também para estes novos "estilos" de participação e incorporar, melhor ou pior na sua forma de funcionamento ou consulta.
Também as grandes lutas de rua estudantis se esvaíram.... A última e fabulosa luta contra as propinas de 2003, já não faz sentido para muitos... Pelo menos no panorama actual em que se almeja a qualidade, a acreditação e a avaliação das instituições de ensino superior. As "lutas de gabinete" são mais frequentes, e obrigam a muito da parte daqueles que as fazem, a preparar, ler, estudar, para propor, para mostrar que somos pró-activos e que desejamos participar, e mostrar o ponto de vista dos estudantes que representamos. Não quer dizer com isto que não se deva voltar às ruas sempre que seja necessário (pelo menos é a minha opinião), mas é claramente muito mais difícil mobilizar os nossos colegas estudantes e fazer passar a palavra dessa necessidade. Outros tempos, outras vontades...
Sei que não dei, neste já longo desabafo, nenhuma clara forma de estímulo à participação dos jovens no associativismo, mas sinceramente, fórmula mágica não a tenho, e bem que a tenho procurado. Prevejo um cenário, em alguns casos negro, derivado às condicionantes que apresentei, e outras que afligem os jovens actualmente, pelo que penso que cada qual terá de encontrar o melhor caminho, e ir tentando aplicar novas e velhas formas de estímulos aos colegas, baseando-se principalmente na informação, na boa vontade, e na convicção de que tentamos sempre defender e representar os estudantes que no elegeram.
26OUT2008
22:26
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