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GALERIA DE IMAGENS

Presidente Cavaco Silva iniciou visita de Estado a Espanha (1)
Presidente Cavaco Silva iniciou visita de Estado a Espanha (4)
Presidente Cavaco Silva iniciou visita de Estado a Espanha (2)
Presidente Cavaco Silva iniciou visita de Estado a Espanha (3)
Presidente da República recebeu Chefe do Governo espanhol e encontrou-se com comunidade portuguesa (10)
Presidente da República recebeu Chefe do Governo espanhol e encontrou-se com comunidade portuguesa (1)
Presidente da República recebeu Chefe do Governo espanhol e encontrou-se com comunidade portuguesa (3)
Presidente da República recebeu Chefe do Governo espanhol e encontrou-se com comunidade portuguesa (6)
Presidente homenageou vítimas do terrorismo e participou em encontro empresarial luso-espanhol (7)
Presidente homenageou vítimas do terrorismo e participou em encontro empresarial luso-espanhol (4)
Presidente homenageou vítimas do terrorismo e participou em encontro empresarial luso-espanhol (6)
Visita ao Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia, em Madrid (1)
Plenário do Congresso espanhol recebeu Presidente Cavaco Silva (2)
Plenário do Congresso espanhol recebeu Presidente Cavaco Silva (6)
Plenário do Congresso espanhol recebeu Presidente Cavaco Silva (8)
Presidente da República visitou Centro de Astrobiologia e empresas portuguesas (3)
Presidente Cavaco Silva reuniu-se com Governo das Astúrias e visitou central termoeléctrica (2)
Presidente Cavaco Silva reuniu-se com Governo das Astúrias e visitou central termoeléctrica (6)
Presidente Cavaco Silva reuniu-se com Governo das Astúrias e visitou central termoeléctrica (8)
Presidente da República concluiu nas Astúrias visita de Estado a Espanha (2)
Presidente da República concluiu nas Astúrias visita de Estado a Espanha (4)
Presidente da República concluiu nas Astúrias visita de Estado a Espanha (5)
Presidente da República concluiu nas Astúrias visita de Estado a Espanha (8)
Presidente da República concluiu nas Astúrias visita de Estado a Espanha (1)





Discurso do Presidente da República por ocasião do Banquete oferecido pelos Reis de Espanha

Parabéns, Majestades
Parabéns, Altezas
Parabéns, Espanha

É uma grande satisfação, para mim e minha mulher que esta nossa visita fique associada a um acontecimento tão feliz para Espanha.

Quero, antes de mais, agradecer as palavras de Vossa Majestade, que muito me sensibilizam e que tão bem ilustram a consideração e o afecto que Portugal lhe merece e que Vossa Majestade sabe ser recíproco. Quero, ainda, expressar o meu profundo reconhecimento, bem como o da minha mulher, pelo convite que Vossa Majestade nos dirigiu para visitar Espanha e pela forma particularmente calorosa como temos sido recebidos.

A visita que hoje iniciei é a primeira Visita de Estado que realizo desde a minha tomada de posse, em Março passado. Quis que assim fosse, em nome de tudo quanto nos une – História, cultura, relações económicas e cooperação, mas também a força e a cumplicidade dos afectos.

Portugal tem em vós, Majestade, um caloroso amigo, que conhece bem as terras e as gentes lusitanas.

Não posso, aliás, deixar de recordar a surpresa de alguns quando, em 1988, Vossa Majestade proferiu, num português fluente, aquela que foi a primeira alocução de um monarca espanhol perante a Assembleia da República.

É bem conhecida a estima que Vossa Majestade dedica ao povo português. Povo que, como sabeis, nutre por Vossas Majestades e por toda a Casa Real Espanhola um genuíno carinho e uma simpatia muito especial.

Uma simpatia que se estende a SSAARR os Príncipes das Astúrias, que espero possam visitar frequentemente o meu país e conhecer de perto o povo e a cultura portuguesas. Povo de quem SAR o Conde de Barcelona dizia, de uma forma que ainda hoje nos toca, que seu “mérito maior é a dignidade com que se apresentam no mundo de hoje, os seus valores espirituais e a sua personalidade forte”.

Nesta minha Visita a Espanha, teremos a oportunidade, minha mulher e eu, de visitar as Astúrias. Será a primeira Comunidade espanhola que visitarei como Presidente da República Portuguesa. Se é verdade que ali se encontra o que é hoje o maior investimento português em terras de Espanha, não escondo que esta decisão começou a tomar forma quando, um dia antes da minha posse, recebi, em Lisboa, a visita de SAR o Príncipe Filipe, que me trazia, em mãos, o convite de Vossa Majestade. Visitar as Astúrias seria visitar o Principado de D. Filipe e a terra de origem de D. Letizia. E sublinhar, mais uma vez, a força e a projecção dos afectos que ligam os nossos dois países e que são o mais importante activo do nosso relacionamento bilateral.

Majestades

A década de 70 do século passado ficará na História dos nossos dois países como o período das transições democráticas e de uma renovada abertura à Europa e ao mundo.

A História desse período e do muito que em Espanha foi conquistado desde então estará para sempre ligada ao nome e à figura de Vossa Majestade. Os da minha geração lembrar-se-ão sempre do momento em que a intervenção de Vossa Majestade garantiu à Espanha a consolidação da sua jovem democracia, na paz e na tolerância. Todos, mais velhos e mais novos, sabemos como a acção e o sentido de Estado de Vossa Majestade têm ajudado a Espanha a afirmar-se como potência económica e política de projecção mundial.

A consolidação da democracia em Espanha e Portugal e a nossa adesão simultânea à União Europeia constituíram um marco a partir do qual a nossa relação bilateral se viria a alterar profundamente.

Das antigas desconfianças, motivadas acima de tudo pelo desconhecimento mútuo – é bem conhecida a imagem de dois países vizinhos de costas voltadas – passámos a, uma relação de diálogo e cooperação permanentes, e à defesa conjunta de interesses comuns.

Em 1986 nasciam as Cimeiras luso-espanholas, palco único para o diálogo, para a concertação de posições e para a promoção de interesses comuns. Ainda hoje, a nossa relação bilateral assenta, em larga medida, nestas Cimeiras de alto nível, que permitiram que o diálogo e a cooperação se estendessem aos mais diversos sectores da actuação pública e privada.

Da cultura à ciência e à investigação, do turismo à cooperação transfronteiriça, da gestão dos recursos hídricos à cooperação energética, das intensas trocas comerciais ao avultado volume de investimento, Portugal e Espanha estão hoje ligados por um denso conjunto de mecanismos de cooperação e diálogo, bem como de projectos e interesses comuns, que se reflectem, com vantagem mútua, na concertação de posições nas instituições internacionais de que fazemos parte, em particular na União Europeia e na Aliança Atlântica.

Para este reforçado nível de entendimento e confiança muito contribuiu Vossa Majestade, pelo conhecimento profundo que tem de Portugal e dos portugueses. Sei, por experiência própria, como foi determinante a intervenção de Vossa Majestade – longe dos holofotes, como a situação exigia – para que várias e sensíveis dificuldades fossem ultrapassadas.

Temos hoje dois países vizinhos que aprenderam a conhecer-se e respeitar-se e que construíram uma importante teia de interdependências.

Sem querer estender-me num rol de estatísticas e numa enumeração detalhada de iniciativas, creio ser importante salientar que a Espanha é hoje o principal cliente e fornecedor de Portugal e é um importante investidor no meu país. Por outro lado, a Espanha tem vindo a ser um dos principais destinos do investimento português no exterior, absorvendo, em 2005, mais de 25% do nosso investimento directo. No ano passado, a Espanha exportou para Portugal mais do que para todo o continente americano, e mais do triplo do que exportou para todos os países do alargamento. Com um oitavo da população da Alemanha, Portugal detém uma quota quase equivalente à daquele país na pauta espanhola de exportações.

No campo cultural, ao sucesso das inúmeras iniciativas que se vão sucedendo, somam-se indicações extraordinárias. Nos últimos 25 anos, traduziram-se em Espanha mais obras de autores portugueses do que em cinco séculos de história. Sublinho, ainda, pelo seu valor estratégico, a inauguração, no ano passado, do Centro de Língua Portuguesa em Madrid e a enorme expansão do ensino do português em Espanha, e do espanhol, em Portugal.

A aposta na cooperação nas áreas da Educação e da Investigação e Inovação Tecnológica começa a ganhar uma dinâmica positiva, como se comprova com a parceria no Instituto de Tecnologia de Braga. Creio, aliás, que o aproveitamento do potencial de desenvolvimento de projectos conjuntos nesta área está apenas no início, sendo imperioso que, através das empresas, das Universidades e dos Centros de Investigação, se promovam parcerias para melhor preparar os nossos países para o desafio da competitividade global.

Esta convicção fez com que tivesse convidado para integrar a minha comitiva jovens cientistas e empresários das áreas da inovação tecnológica e da biotecnologia. Não duvido que, mesmo para quem acompanhe de perto a evolução da sociedade portuguesa, a excelência do trabalho destes jovens e o reconhecimento de que desfrutam internacionalmente constituirá uma boa surpresa. Amanhã, terei a satisfação de participar num seminário, promovido pelas COTEC de Portugal e de Espanha, dedicado precisamente à cooperação luso-espanhola no domínio da inovação científica e tecnológica.

Creio que mantém toda a actualidade a afirmação proferida no V Encontro do Foro Hispano-Luso, em 2004, de que “las relaciones entre España y Portugal se desarrollan actualmente en un marco difícil de imaginar hace sólo unos años. La situación actual permite que las administraciones públicas, las entidades privadas y los particulares puedan estrechar lazos y emprender iniciativas de colaboración en un clima de mutuo respeto, entendimiento y naturalidad.”

Majestades

Referem-se frequentemente as inquestionáveis vantagens que Portugal e Espanha obtiveram com a adesão à União Europeia.

Mas, é bom que o sublinhemos, a adesão de Portugal e Espanha à União Europeia constitui um enorme valor acrescentado para a Europa.

A política externa europeia beneficiou dos nossos conhecimentos e relações privilegiadas com um sem número de países dispersos pelos cinco continentes. O relacionamento com a África, com a América Latina – foi em Portugal a primeira reunião ministerial UE-Mercosul, – com a Ásia – foi durante a Presidência portuguesa que nasceram, por exemplo, as Cimeiras UE-Índia, –e com o Mediterrâneo – vide o Processo de Barcelona - ganharam uma dimensão que não tinham. O alargamento bem sucedido a Portugal e a Espanha constituiu uma lição para os alargamentos que se lhe seguiram. O nosso contributo para iniciativas fundamentais, como a Agenda de Lisboa, é prova da credibilidade do nosso empenho no processo de integração.

Aos nossos dois países, à Europa e ao mundo colocam-se actualmente importantes desafios.

Acredito que Portugal e Espanha, pelo seu passado, pela teia de relações que souberam criar, têm responsabilidades acrescidas na procura de um melhor entendimento entre os povos. Encontrar uma resposta eficaz a problemas como o terrorismo internacional ou a imigração ilegal deve constituir uma das nossas prioridades comuns.

Tem sido uma constante da política externa portuguesa, a preocupação com a ajuda ao desenvolvimento. Só o desenvolvimento económico poderá levar a que populações de “esquecidos da História” deixem de procurar os nossos países como única solução para um futuro melhor. Portugal é já hoje um dos maiores contribuintes per capita na ajuda ao desenvolvimento, através de auxílios oficiais e da contribuição da sociedade civil.

No quadro da insegurança que o terrorismo internacional tem promovido, retemos a imagem de dignidade do povo espanhol, quando, perante a tragédia de 11 Março, e independentemente de qualquer conotação política, disse ao mundo tudo o que devia ser dito: a dor, a revolta, a indignação, mas também a crença indefectível nos valores da paz, da tolerância e da democracia. É esse o caminho. Nada justifica o terror e nada justifica que se ceda à chantagem.

Amanhã, após a visita ao Ayuntamiento de Madrid, deslocar-me-ei, com a minha mulher, ao Retiro, para ali prestar a nossa homenagem, que é de todo o povo português, à memória dos que pagaram com a vida, em Espanha, tal como em muitos outros cantos do mundo, o preço da nossa escolha pela tolerância, pelo diálogo e pela dignidade humana, contra o terror e a barbárie.

Majestades

Hoje, nada do que acontece em Portugal é irrelevante para Espanha, e nada do que acontece em Espanha é irrelevante para Portugal. É esta a realidade do nosso relacionamento. Saibamos fazer desta realidade a garantia de um futuro de cooperação cada vez mais estreita e frutuosa, para o bem de ambos os povos e países.

Permitam-me que brinde à saúde e felicidade de Vossa Majestade e de Sua Majestade a Rainha Dona Sofia, e à excelência das relações entre os nossos dois países. Que ela constitua sempre motivo de orgulho para ambos os povos e um exemplo para as outras Nações.

Muito obrigado

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