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Cerimónia de agraciamento do Eng. António Guterres
Cerimónia de agraciamento do Eng. António Guterres
Palácio de Belém, 2 de fevereiro de 2016 ler mais: Cerimónia de agraciamento do Eng. António Guterres

“Os Jovens Agricultores”, artigo do Presidente da República publicado no semanário Expresso, em 10 de Junho de 2011 Clique aqui para diminuir o tamanho do texto|Clique aqui para aumentar o tamanho do texto

Se há alguma coisa consensual em Portugal no domínio da agricultura é, sem dúvida, a necessidade de haver um sistema de apoio público activo aos jovens agricultores, à sua instalação e à expansão do seu número e da sua actividade.

Todos os especialistas o reconhecem, todos os partidos políticos o mencionam nos seus programas, todos os governos têm sublinhado atribuir-lhes grande prioridade e atenção.

Apesar disso, os resultados, completamente contrários aos objectivos, estão à vista. Os jovens agricultores com menos de 35 anos representam apenas 2% e com menos de 45 anos apenas 10%, do número total de agricultores portugueses.

Portugal é o país agricolamente mais envelhecido da União Europeia, uma vez que tem a mais elevada percentagem de agricultores com mais de 65 anos (48%, a comparar com 27% da UE).

Além disso, estes valores têm-se vindo a agravar de ano para ano. Entre 1999 e 2009 (entre os dois últimos recenseamentos) a redução dos jovens até 35 anos foi de 60% e entre 35 e 45 anos foi de 51%.

Alguma coisa estará, portanto, a impedir o sucesso das políticas públicas nesta matéria e a merecer uma atenção aprofundada, de modo a que possamos rapidamente inverter a tendência e melhorar a situação.

As razões serão certamente mais do que uma. Muito provavelmente, decorrerão do efeito do carácter depressivo que acompanha há largos anos o nosso sector agrícola, conjugado com as dificuldades naturais da profissão, com o apego à terra das gerações mais idosas, com a má imagem pública que, muitas vezes erradamente, se tem difundido da profissão de agricultor e, naturalmente, com o afastamento acentuado dos rendimentos agrícolas relativamente aos rendimentos das actividades não agrícolas.

Outras razões haverá, consequência indirecta das anteriores, tais como as dificuldades de acesso à terra por parte dos jovens, o elevado risco da profissão, a burocracia, as dificuldades de financiamento, a insuficiência de acompanhamento e apoio técnico, quer público, quer privado.

E, no entanto, nunca como hoje foi tão necessário interessar os jovens portugueses nas actividades do sector agrário. Só eles poderão alavancar e apressar o salto qualitativo de que a nossa agricultura necessita para poder contribuir, como se espera, de forma muito significativa para atenuar a crise em que vivemos.

Todos os agricultores, de todas as idades, podem, e devem, contribuir para esse efeito, mas são os jovens os únicos que poderão trazer-nos a sustentabilidade futura de que necessitamos. Só eles nos poderão trazer a abertura de espírito, a energia, a inovação, a criatividade e o conhecimento, sem o qual não deixaremos de nos afastar da Europa e do mundo.

Se tivesse dúvidas sobre isso, tê-las-ia dissipado durante o encontro que recentemente promovi, no Palácio de Belém, com um conjunto de jovens agricultores e agricultoras de todas as regiões do país, com diversas formações, representando diferentes tipos de agricultura e quase todas as actividades praticadas no nosso país, dirigidas ao mercado interno e à exportação.

Se tivesse dúvidas sobre o valor acrescentado para o país que representa cada um destes jovens, teria ficado esclarecido.

Nenhum deles se mostrou arrependido da profissão escolhida. Todos revelaram a sua criatividade, na escolha das actividades e dos produtos, nas relações com o mercado, nas soluções técnicas adoptadas e, sobretudo, no entusiasmo, dedicação e até amor, que têm pela sua actividade.

Queixaram-se da burocracia e das dificuldades de financiamento. Alguns, do acesso à terra e do insuficiente acompanhamento e apoio técnico, por parte das instituições públicas com responsabilidade na matéria.

Foi quase uma lição de vida, de entusiasmo e de fé no futuro, o que recebi destes jovens e, no fim, várias certezas. A certeza de que se torna absolutamente vital para Portugal a abertura de um espaço de diálogo construtivo e permanente entre os jovens agricultores e o Governo para que os seus problemas e aspirações sejam examinados à luz das nossas necessidades e aspirações; a certeza de que os jovens agricultores ocuparão a linha da frente de um vasto e patriótico movimento nacional que coloque a agricultura como sector fundamental para a sustentabilidade futura do nosso país; a certeza de que Portugal só tem a ganhar se acreditar nos seus jovens e se lhes proporcionar os meios e as condições para que estes possam mobilizar a sua inesgotável generosidade, vitalidade e energia criadora.

© Presidência da República Portuguesa - ARQUIVO - Aníbal Cavaco Silva - 2006-2016

Acedeu ao arquivo da Página Oficial da Presidência da República entre 9 de março de 2006 e 9 de março de 2016.

Os conteúdos aqui disponíveis foram colocados na página durante aquele período de 10 anos, correspondente aos dois mandatos do Presidente da República Aníbal Cavaco Silva.