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Roteiro para a
Juventude

Jornada

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Os jovens conhecem como ninguém o sentido autêntico de palavras como “excelência”, “inovação” ou “inclusão social”
Discurso 25 de Abril de 2007


O Livro Verde das alterações demográficas, lançado pela Comissão Europeia em 2005, mostra que a Europa se confronta com alterações demográficas sem precedentes. Até 2030 vão faltar cerca de 21 milhões de pessoas em idade de trabalhar, enquanto que para cada duas pessoas activas haverá uma inactiva (mais de 65 anos). Haverá nessa altura menos 18 milhões de jovens europeus do que há hoje.

Em muitos países, europeus, incluindo o nosso, a pirâmide etária está já a inverter-se, pondo em causa a sustentabilidade dos sistemas de segurança social e um modelo de sociedade que parecia garantir uma crescente qualidade de vida e uma ascensão social com base em maiores qualificações.

Entre 1991 e 2004 a população jovem tenha decrescido cerca de 8%, deixando de constituir ¼ da população portuguesa residente para passar a representar apenas 1/5.

Por outro lado, verifica-se uma crescente qualificação dos jovens e, apesar de haver ainda taxas de abandono escolar da ordem dos 35%, a proporção de jovens em cargos qualificados ou de direcção e chefia sobe de 9.9% em 1991 para 17.6% em 2001.

População jovem activa, por grande grupo socioeconómico - 1991 e 2001
População jovem activa, por grande grupo socioeconómico - 1991 e 2001
Fonte: Instituto Nacional de Estatística - Portugal


A população jovem apresenta uma tendência de decréscimo, desde 1996, a um ritmo acelerado, tendo o índice de crescimento diminuído cerca de 8% de 1991 a 2004.

Índice de Crescimento da população total residente e da população jovem residente por ano: 1991-2004 (1991=100%)
Índice de Crescimento da população total residente e da população jovem residente
por ano: 1991-2004 (1991=100%)
Fonte: Instituto Nacional de Estatística - Portugal

 

Projecções da População Residente Portuguesa
Fonte: INE, Projecções da População Residente, 2005-2050 Cenário base


O envelhecimento das sociedades europeias conduz necessariamente a uma intensificação do fenómeno migratório, para compensar o défice demográfico.

Um terço da população jovem mundial encontra-se nos países em vias de desenvolvimento e há múltiplos factores que estimulam a sua saída para outros países mais prósperos.

Mas também a procura de melhores condições de vida, como consequência do contraste entre países ricos e países pobres, torna inevitável uma crescente pressão migratória.

Há ainda a globalização económica que faz com que a mão-de-obra disponível se desloque em direcção aos países industrializados ou mais produtivos. As deslocalizações apenas atenuam ou atrasam estes movimentos.

Finalmente, há ainda a considerar que são os próprios países industrializados que querem atrair mão-de-obra qualificada, informática, médicos, investigadores, etc., facilitando a imigração dos jovens mais qualificados para os países que lhes dêem melhores condições de vida social e profissional.

É com esta competição, com estes movimentos de mobilidade e com a gestão desta diversidade que os jovens de hoje têm que equacionar o seu futuro. Já não há espaços fechados nem contratos de trabalho imunes a esta dinâmica e a esta competitividade, a própria identidade colectiva muda intensamente.

Os sistemas protectores são ultrapassados por uma crescente interacção e interconexão entre as pessoas, as economias e os países, com forte impacto na mudança das próprias referências culturais.

Os jovens são actores dessa mudança social e por isso devem ser incluídos no exercício de um estatuto pleno de cidadania, recusando a perspectiva que considera que os jovens são simplesmente afectados pela mudança social enquanto agentes passivos.

A crescente mobilidade europeia, de que é um exemplo paradigmático o sucesso do Erasmus, mas também a facilidade das comunicações e a proliferação de redes através das tecnologias de informação está a construir uma nova identidade europeia.

Abre-se um novo mercado, sobretudo para os mais qualificados, o que obriga a uma enorme competição nos sistemas de ensino e um esforço permanente no combate à exclusão e abandono escolar.

As leis são cada vez mais europeias e a cidadania europeia começa a ganhar autonomia em relação à cidadania de uns pais.

A construção de uma Europa coesa, com justiça social e capaz de responder às ansiedades dos jovens de hoje é também um grande desafio para as novas gerações.

 

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Acedeu ao arquivo da Página Oficial da Presidência da República entre 9 de março de 2006 e 9 de março de 2016.

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