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30.º aniversário da adesão de Portugal às Comunidades Europeias
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Lisboa, 8 de janeiro de 2016 ler mais: 30.º aniversário da adesão de Portugal às Comunidades Europeias

INTERVENÇÕES

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Discurso do Presidente da República por ocasião da Receção de Retribuição e em honra da Comunidade Portuguesa e da Sociedade Timorense
Escola Ruy Cinatti (Escola Portuguesa de Díli), Timor-Leste, 21 de maio de 2012

Quero começar por agradecer, Senhor Presidente da República, a hospitalidade com que Timor-Leste me recebeu e a minha Mulher. É para mim uma honra poder partilhar com o Povo timorense e com a Comunidade Portuguesa de Timor-Leste o ambiente de comemoração que hoje aqui se vive.

Timor-Leste é uma história de sucesso. É, de facto, uma enorme alegria e uma fonte de esperança ver quanto os Timorenses alcançaram nesta década de Independência. O país afirma-se hoje internacionalmente como uma nação livre e democrática, após a luta corajosa e determinada do Povo timorense pela liberdade.

E teve, do outro lado do Mundo, o apoio e a solidariedade de um outro Povo inteiro – a causa timorense foi também uma causa do Povo português. Hoje, em Timor-Leste, estão muitos desses Portugueses que partilharam, com os Timorenses, o sonho da Independência.

A presença e a ação da Comunidade portuguesa em Timor-Leste têm, também por isso, um cariz muito singular, no seu envolvimento e na sua proximidade com a sociedade timorense.

Constatei, nos diversos contactos que aqui tenho mantido, que as autoridades timorenses, ao atribuírem um valor estratégico às excelentes relações e à cooperação com Portugal, projetam, ao nível político, o que é sentido pelos dois Povos. Não tenho dúvidas, portanto, de que esta cooperação irá prosperar ainda mais no futuro.

Quero saudar a Comunidade Portuguesa de Timor-Leste e agradecer terem acedido ao meu convite para aqui estarem, esta tarde.

Ao mesmo tempo, quero agradecer aos representantes da sociedade timorense aqui presentes a forma calorosa, de “braços abertos”, como têm recebido os Portugueses em Timor-Leste, potenciando o sucesso da nossa cooperação.

Portugueses e Timorenses, apesar da distância geográfica, estão unidos por laços históricos, culturais e de amizade. Este entendimento ímpar entre os nossos dois países é especialmente realizado através da língua portuguesa, que hoje é também um instrumento de projeção internacional dos nossos países.

Não podia, por isso, ter sido encontrado melhor lugar para este convívio fraterno do que esta Escola, onde, todos os dias, 800 estudantes, na sua grande maioria timorenses, prosseguem os seus estudos em língua portuguesa, contribuindo para o crescimento de um dos idiomas em maior expansão em todo o Mundo. Quero, por consequência, deixar aqui o meu reconhecimento ao trabalho dos seus docentes e, também, aos primeiros finalistas do 12º ano oriundos da Escola Ruy Cinatti que, no presente ano letivo, se encontram já em universidades portuguesas, com bolsas do governo timorense. A todos felicito na pessoa da Senhora Diretora da Escola.

A progressiva introdução da língua portuguesa como língua de ensino em todas as escolas timorenses foi uma decisão ambiciosa dos Pais Fundadores da República, cuja concretização, em condições nem sempre fáceis, traduz um compromisso profundo de Timor-Leste para com a especificidade da sua História e da sua cultura, concretizada na adesão à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, uma Comunidade fundada numa língua e em valores comuns.

A aposta na língua e na formação é um eixo fundamental na cooperação entre Portugal e Timor-Leste. Foram entretanto formados, em língua portuguesa, 7 mil professores primários e 5 mil professores dos ciclos pré-secundário e secundário.

Este feito foi alcançado graças ao enorme empenho dos mais de 100 docentes portugueses que, ao longo dos últimos doze anos, estiveram em Timor-Leste e, naturalmente, dos próprios formandos. Esta experiência acumulada e de sucesso faz-nos ambicionar ir ainda mais longe.

Uma palavra especial cabe também ao esforço feito no setor da Justiça.

Quero, em particular, destacar o papel do Senhor Presidente do Tribunal de Recurso, o Juiz Desembargador Cláudio Ximenes, na consolidação do novo sistema judicial da sua pátria materna. A ponte que personificou entre os sistemas judiciais dos dois países, mediante, por um lado, a promoção do intercâmbio entre magistrados e, por outro, o acolhimento nos tribunais de Timor-Leste de juízes portugueses, constitui uma expressão eloquente da cooperação entre os nossos dois Povos.

Pelo que o Juiz Desembargador Cláudio Ximenes fez e pelo que representa, é com grande honra que lhe imporei a seguir as insígnias da Grã-Cruz da Ordem do Infante Dom Henrique, que decidi atribuir-lhe como reconhecimento da República Portuguesa.

A Comunidade portuguesa em Timor-Leste contribui de forma importante para a vitalidade do tecido social timorense, distinguindo-se em inúmeras ações de solidariedade e de apoio social. Neste contexto, quero destacar, igualmente, como exemplos de esforço abnegado, duas pessoas aqui presentes:

O Hospitaleiro Vítor Lameiras, colocado há 9 anos por Dom Basílio do Nascimento em Laclubar, onde criou o primeiro Centro de Referência de Saúde Mental do país, inaugurado em 2011.

E a Franciscana da Divina Providência Maria da Luz Henriques, colocada há dez anos por Dom Alberto Ricardo em Padiae, a 13 horas de distância de barco da capital, onde, com o apoio português do Ministério da Solidariedade Social, criou um Centro Comunitário de Referência, destinado a rasgar novos horizontes de centenas de crianças e adolescentes.

É com orgulho que, em nome da República Portuguesa, lhes irei impor a Comenda da Ordem do Mérito, que decidi atribuir-lhes.

Caros amigos timorenses e compatriotas,

A História não se faz apenas de passado, construindo-se num presente que se projeta no futuro. A Comunidade portuguesa em Timor-Leste é, com o Povo timorense, um agente da História, tanto da História deste jovem país, como da História da relação bilateral, num dos seus capítulos mais brilhantes, que importa reconhecer e enaltecer.

Portugal tem orgulho dos que aqui se encontram. Timor-Leste enquanto país soberano, livre e independente, foi também um sonho português. Hoje, Portugal continua a contribuir para a consolidação do Estado de Direito democrático e para o desenvolvimento social e cultural de Timor-Leste.

Sei que muito está a ser feito e tenho a certeza de que muito mais continuará a ser realizado no futuro. Será firme a nossa aposta em projetos que promovam o desenvolvimento de Timor-Leste e em ações de interesse partilhado. Aqui, em Timor-Leste, a esperança da cooperação já passou das palavras aos atos. E isso em muito se deve à nossa Comunidade em Timor-Leste e ao Povo timorense.

Em nome de Portugal, o meu sincero agradecimento pelo vosso trabalho, que em muito prestigia e eleva o nome dos nossos dois países. A todos desejo as maiores felicidades.

Muito obrigado.

© Presidência da República Portuguesa - ARQUIVO - Aníbal Cavaco Silva - 2006-2016

Acedeu ao arquivo da Página Oficial da Presidência da República entre 9 de março de 2006 e 9 de março de 2016.

Os conteúdos aqui disponíveis foram colocados na página durante aquele período de 10 anos, correspondente aos dois mandatos do Presidente da República Aníbal Cavaco Silva.