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Cerimónia de agraciamento do Eng. António Guterres
Cerimónia de agraciamento do Eng. António Guterres
Palácio de Belém, 2 de fevereiro de 2016 ler mais: Cerimónia de agraciamento do Eng. António Guterres

INTERVENÇÕES

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Intervenção do Presidente da República na Sessão de encerramento do 4º Encontro Nacional Inovação COTEC
Culturgest, Lisboa, 16 de Maio de 2007

Senhor Presidente da Direcção da COTEC-Portugal
Senhores Empresários
Minhas Senhoras e meus Senhores,

Felicito a COTEC pela escolha, neste seu Encontro Nacional, do tema da educação e da qualificação. Trata-se de uma questão central, não só para o debate mais amplo sobre inovação, mas também para o entendimento dos desafios que se colocam ao nosso País na transição para uma economia baseada no conhecimento.

Sabemos que, no mundo global em que vivemos, a inovação e a criatividade assumem um valor económico superior. Os empresários já perceberam a importância cada vez mais decisiva para o seu sucesso da capacidade de transformar ideias em produtos e serviços inovadores. Os agentes políticos estão também conscientes de que são os sectores intensivos em conhecimento os que maior potencial de crescimento apresentam e os que melhor podem sustentar o progresso económico e social do País.

No entanto, para que o investimento em inovação se enraíze e frutifique, é necessário desenvolver junto dos Portugueses uma pedagogia que realce as vantagens da educação e da qualificação para o aumento da produtividade. Todos têm de ter presente que a qualificação dos recursos humanos dará às nossas empresas condições de competirem com maior sucesso.

Nunca como hoje se falou e escreveu tanto acerca de inovação e empreendedorismo. Temos de reconhecer, todavia, que Portugal continua a ter um fraco índice de actividade empreendedora. Mudar esta situação é uma tarefa tão necessária quanto árdua. Existem, em todo o caso, sinais encorajadores.

Há uma nova geração de jovens que nos dá motivos para acreditar no futuro. Uma geração que viveu inteiramente a experiência de nascer e crescer num ambiente em que é natural o uso das novas tecnologias. Uma geração que tem adquirido e acumulado qualificações académicas como nunca antes sucedeu em Portugal. Uma geração que, através de programas como o Erasmus, deu um novo significado à palavra «mobilidade» e um novo sentido à ideia de integração europeia.

Devemos, no entanto, estar conscientes de que a mobilidade implica também o risco de muitos dos nossos jovens, porventura os mais qualificados, abandonarem o País e rumarem a locais que lhes proporcionem melhores condições de realização pessoal e profissional.

Recentemente, dirigi um apelo aos jovens para que não se conformassem. Insisto neste apelo às novas gerações: ao pensarem na vossa carreira profissional, não desistam de Portugal.

Mas, para que os jovens empreendedores não desistam de Portugal, é também necessário que Portugal não esqueça as novas gerações, a sua voz, as suas ambições.

É preciso fazer um esforço para que o nosso País tenha um ambiente que estimule a iniciativa e que seja favorável à realização de investimentos em áreas inovadoras.

Nesta perspectiva, gostaria, desde logo, de sublinhar a importância de ultrapassarmos o estigma habitualmente associado, entre nós, ao fracasso de uma iniciativa empresarial. A experiência de falhar é inerente ao risco e pode representar, inclusivamente, uma capacidade acrescida de sucesso futuro. Só não fracassa quem se resigna, quem não ambiciona.

Destacaria, igualmente, a necessidade de reforçar a oferta de condições e incentivos para que jovens com vocação empreendedora possam explorar novas ideias, tecnologias e modelos de negócio.

Existe um enorme potencial acumulado nos espaços universitários e nos centros de incubação de empresas, potencial esse que importa colocar à disposição dos candidatos a empresários.

Tive a oportunidade, durante as etapas do Roteiro para a Ciência, de conhecer empresas cujos promotores obtiveram nas universidades os recursos necessários para o desenvolvimento das suas ideias e projectos. São bons exemplos a seguir.
Senhores Empresários e Gestores,

Registo com satisfação que um dos tópicos do encontro de hoje se centrou na importância da formação para empreender. Portugal tem vindo a recuperar tempo neste domínio e já possui uma oferta considerável de cursos de emprendedorismo leccionados ao nível universitário. O sucesso deste tipo de formação, mais do que assentar em conceitos teóricos, deve passar pela focalização dos jovens em actividades práticas que os aproximem à realidade do mundo empresarial.

Decidi, pois, apoiar a actividade da Associação Aprender a Empreender, patrocinando o seu programa “A Empresa”, que terá início no presente ano junto dos alunos do ensino secundário. Este programa visa estimular os jovens, não só a adquirirem conhecimentos sobre actividades empresariais, mas também a desenvolverem projectos específicos. Tenho a expectativa de que o previsível êxito deste programa possa representar uma fonte de motivação para o alargamento do acesso deste tipo de formação a todos os jovens portugueses.

Um dos maiores constrangimentos sentidos pelos jovens empresários consiste na dificuldade em encontrar investidores disponíveis para apostar no risco dos seus projectos. A insuficiente dimensão da oferta do mercado português de financiamento do risco tem representado um importante obstáculo à criação de novas empresas e um factor de desânimo para os jovens empresários.

Saúdo, por isso, o arranque do novo programa-quadro de Inovação Financeira para as PMEs – INOFIN. Espera-se que este novo conjunto de mecanismos públicos de apoio traga um novo dinamismo à criação de empresas e permita desenvolver mais rapidamente o mercado português de capital de risco.
Importa, também, incentivar as empresas portuguesas a utilizarem os mecanismos de protecção da propriedade industrial. É imperativo promover mais vigorosamente a protecção dos investimentos realizados em novas tecnologias e investigação, facilitando o acesso à protecção jurídica conferida através da propriedade industrial e do registo de ideias, marcas ou patentes.

Senhores Empresários e Gestores,

Sei que me dirijo a uma audiência particularmente qualificada em matéria de inovação. Encontram-se aqui representados muitos exemplos de empresas que desenvolvem modelos de negócio com sucesso global. Umas procuraram os mercados globais num momento já avançado do seu crescimento, enquanto outras assumiram um comportamento internacional desde o primeiro dia. Em ambas as situações, a experiência que possuem constitui uma grande valia para Portugal.

No contacto com as empresas mais jovens, muitas delas desconhecidas do grande público, verifica-se que a sua atitude é já de “nascer global” ou, se quisermos, de «pensar global, agir global». Esta abordagem pode explicar-se por razões geracionais, mas também por uma tentativa de reprodução de casos de sucesso conhecidos.

Por vezes, no entanto, escasseiam a estas novas empresas as competências e a experiência para executar processos de internacionalização acelerada. Para colmatar esta lacuna, convido-vos, Senhores Empresários, a abrirem as portas das vossas organizações aos jovens empreendedores e investigadores portugueses e a partilharem com eles as vossas experiências de internacionalização. Estou certo de que este será um contacto enriquecedor para ambas as partes.

Há um ano, lancei o desafio para a constituição, no âmbito da COTEC-Portugal, de um Conselho para a Globalização, ao qual dei o meu patrocínio. O sucesso da primeira reunião, para o qual contribuiu decisivamente o empenhamento da Direcção da COTEC, estimulou a continuidade desta iniciativa, com um segundo encontro agendado para o próximo mês de Setembro.

Reitero os objectivos do Conselho da Globalização: contribuir para a compreender e divulgar o fenómeno da Globalização; criar na sociedade portuguesa o sentido de urgência para as mudanças necessárias ao sucesso no mundo globalizado; e criar e estreitar laços entre líderes de empresas internacionais e de empresas portuguesas.

Senhores Empresários e Gestores,

Para cativarmos as novas gerações de empresários, necessitamos igualmente de uma nova atitude da parte da geração actual e das suas associações representativas. Uma atitude que altere práticas e hábitos na vida empresarial e que promova uma cultura de partilha em rede de competências e experiências. Destaco, por isso, o trabalho realizado pela COTEC-Portugal no desenvolvimento da sua rede de PMEs inovadoras, à qual se juntam hoje mais 24 membros, tal como saliento o mérito do trabalho realizado no campo da classificação das actividades de I&D.

Líderes na inovação empresarial em Portugal são hoje aqui distinguidos com os prémios de Inovação PME. Quero endereçar os meus parabéns às empresas vencedoras, a Alert e a Frulact, ex-aequo, assim como à Vortal, detentora de uma menção honrosa, pela reconhecida excelência dos seus modelos empresariais e de inovação, e quero também deixar uma palavra de apreço a todos os que participaram no concurso.

Tive muito gosto em participar convosco neste encerramento da edição 2007 do Encontro Nacional Inovação COTEC. Deixo-vos com a convicção de que temos condições para realizar as mudanças no tecido empresarial do País necessárias para vencermos no mundo global, assim como para motivar e capacitar as novas gerações para atingirem os seus objectivos de realização pessoal e profissional.

© Presidência da República Portuguesa - ARQUIVO - Aníbal Cavaco Silva - 2006-2016

Acedeu ao arquivo da Página Oficial da Presidência da República entre 9 de março de 2006 e 9 de março de 2016.

Os conteúdos aqui disponíveis foram colocados na página durante aquele período de 10 anos, correspondente aos dois mandatos do Presidente da República Aníbal Cavaco Silva.