Bem-vindo à página ARQUIVO 2006-2016 da Presidência da República Portuguesa

Nota à navegação com tecnologias de apoio

Nesta página encontra 2 elementos auxiliares de navegação: motor de busca (tecla de atalho 1) | Saltar para o conteúdo (tecla de atalho 2)
Visita às salinas
Visita às salinas
Rio Maior, 3 de fevereiro de 2016 ler mais: Visita às salinas

INTERVENÇÕES

Clique aqui para diminuir o tamanho do texto| Clique aqui para aumentar o tamanho do texto
Discurso do Presidente da República por ocasião do 40º Aniversário da Comunidade Islâmica de Lisboa
Mesquita de Lisboa, 22 de Junho de 2008

Senhor Dr. Abdool Karim Vakil, Presidente da Direcção da Comunidade Islâmica de Lisboa
Senhor Sheikh David Munir
Senhora Professora Asma Barlas
Membros da Comunidade Islâmica de Lisboa
Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Na Mesquita Central de Lisboa, em que, desde 1985, se acolhem os fiéis muçulmanos, saúdo toda a comunidade islâmica residente em Portugal.

O Estado português garante a liberdade religiosa plena e procura oferecer a todas as confissões religiosas as condições indispensáveis ao livre exercício do culto.

Os portugueses muçulmanos não têm de escolher entre serem portugueses e serem muçulmanos. Participam na vida colectiva e trabalham, como os outros portugueses, para o bem comum. Vivem a sua fé em liberdade, tal como todos os muçulmanos de outras nacionalidades que residem entre nós.

Tantos anos vivendo em comum ensinaram-nos a respeitar as crenças e as tradições que cada um abraça. Portugal pode mesmo ser apontado como um exemplo de convivência entre fiéis de várias religiões.

No entanto, estou convicto de que não basta que sejamos tolerantes. A tolerância, aliás, pode ser uma atitude que revela mera indiferença, pode significar viver na mesma terra mas de portas fechadas ao nosso vizinho. Ora, é o desconhecimento que abre portas à incompreensão mútua.

Sabemos todos que o Islão é uma religião de paz e de harmonia.

Por isso, é importante sublinhar que em Portugal soubemos aprender a mensagem de paz do Islão. Esta é uma mensagem importante para toda a Europa, para uma Europa que queremos harmoniosa na convivência de religiões, sem renunciar à sua matriz cristã.

Há razões que explicam a circunstância de os portugueses saberem separar o trigo e o joio. A longa história de relacionamento permanente com o Islão e o legado cultural islâmico que recebemos e que nos marcou para sempre constituem as primeiras explicações que encontro.

A estas razões junta-se, inequivocamente, a actividade equilibrada e pacificadora da Comunidade Islâmica de Lisboa e dos seus dirigentes, de entre os quais me permitirão que destaque as figuras dos presidentes Suleiman Valy Mamede, infelizmente já falecido, e Abdool Karim Vakil.

Desde o momento em que, no já distante ano de 1968, quinze muçulmanos a fundaram oficialmente, a Comunidade Islâmica de Lisboa tem, de acordo com o que avisadamente foi fixado nos seus estatutos, defendido a identidade cultural dos seus membros e promovido a sua plena integração na sociedade portuguesa. E tem ainda buscado incessantemente dar a conhecer os propósitos de tolerância, sabedoria e justiça do Islão.

Fica bem claro no Alcorão que para os muçulmanos a diversidade humana é uma bênção de Deus e que todos os homens devem ter o coração aberto para aprender a conhecer o outro.

Vem no Alcorão:

“Ó homens! Por certo (...) vos fizemos como nações e tribos, para que vos conheçais uns aos outros.”

Conheçamo-nos uns aos outros, eis o primeiro mandamento da vida em comum. Porque o conhecimento é condição de entendimento.

A celebração do quadragésimo aniversário da Comunidade Islâmica de Lisboa oferece-nos mais uma oportunidade, que temos o dever de aproveitar, para promovermos o conhecimento mútuo.

Ainda há, com efeito, muito por fazer, muito por conhecer. Uma coisa é certa: cristãos, muçulmanos, judeus ou hindus podem usar vestes diferentes ou orar de modo diverso. Interiormente, porém, somos iguais, partilhamos as mesmas ansiedades e incertezas, aspiramos às mesmas alegrias e esperanças. Como todos os homens, afinal.

Vem no Alcorão que um dos nomes do Paraíso é “Morada da Paz”. Como membro honorário da Comunidade Islâmica de Lisboa digo-o com convicção: também aqui, nesta morada de todos os muçulmanos, me sinto em paz.

Assalamu Aleikum, que a paz esteja com todos vós.

© Presidência da República Portuguesa - ARQUIVO - Aníbal Cavaco Silva - 2006-2016

Acedeu ao arquivo da Página Oficial da Presidência da República entre 9 de março de 2006 e 9 de março de 2016.

Os conteúdos aqui disponíveis foram colocados na página durante aquele período de 10 anos, correspondente aos dois mandatos do Presidente da República Aníbal Cavaco Silva.